quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

MOVIE REVIEW | Batman: Bad Blood


Olá, pessoas que sonham em vestir uma fantasia de morcego e sair por ai combatendo o crime em uma versão mais sombria e suja de NY, conquistando o respeito da polícia - que, vergonhosamente, acende um farol sempre que percebe o quanto incompetente é para lidar com o seu trabalho - e a idolatria dos vilões. Como estão?

2016 começou muito bem quando o assunto é animações e, como não poderia deixar de ser, a DC novamente mostrou que é muito boa nesse assunto com mais um título para o seu universo de longa-metragens animados originais.

Enfim, sem mais delongas, confiram abaixo os meus dois centavos sobre mais uma aventura icônica do morcegão e sua turma: Batman: Bad Blood.


Sempre ocorreu algo muito interessante na minha relação com a DC e suas adaptações. Eu nunca fui o maior fã da empresa. Não me metam em qualquer tipo de briga entre fãs, acho isso uma babaquice sem tamanho, mas as HQs da Marvel sempre me chamaram mais atenção. Não sei se há um motivo para isso, mas sempre preferi ler quadrinhos do Homem-Aranha, X-men e Vingadores a outros de heróis consagrados de sua grande rival, como Superman, Liga da Justiça e muitas outras. Talvez por conta da maior acessibilidade a materiais da Marvel, visto que minha imersão nesse nicho foi através de camelos que vendiam revistas usadas por R$1 ou R$2 cada, ou outro motivo, sei lá, não tem muito o que justificar. Só comecei mesmo a me interessar por essas histórias depois de velho, com os Novos 52. Daí, li os mais clássicos.

Além disso, não tenho qualquer fanatismo ou predileção por filmes live-action da DC com a Warner a de outros estúdios. Muitos amigos meus estão pirando com os 54573 teasers que vem saindo de "Batman v Superman" e "Esquadrão Suicida", quando, para mim, são apenas mais alguns na lista do que assistir durante o ano. Para piorar minha imagem aos "nerds-darks-mais-maduros-que-os-que-assistem-vingadores", eu não consigo ver nada de mais na trilogia do Batman feita pelo Christopher Nolan - além, claro, de uma imensa pretensão em soar obscuro, coisa que se repete em quase tudo que ele lança.

Acrescentando ainda mais ódio dos fãs à minha vida, não tenho a mínima paciência para as séries de TV. Embora tenha assistido uma temporada e meia de "Arrow" - e até gostado - não consigo ter ânimo para retomar. Quanto a "Flash", "Gotham" e "Supergirl", vi uns episódios e larguei.

Entretanto, isso sempre foi diferente com as animações. Se tem algo que a Warner conseguiu com maestria foi adaptar as histórias, ou mesmo criar arcos totalmente inéditos, utilizando o universo da DC. A série animada do Batman, as da Liga da Justiça, dos Jovens Titãs, Super Choque, Batman do Futuro, Projeto Zeta e até o desenho do Superman, um personagem que eu odeio, é ótimo em meio a tantos outros clássicos da minha infância. Além disso, há a grande leva de filmes animados.

Pretendo me aprofundar nisso em um post mais para frente, mas o que muita gente não sabe é que a Warner e a DC criaram um "universo" coerente onde cada um de seus filmes animados lançados diretamente para DVD/Blu Ray conversam. Começou em 2007 com "A Morte do Superman", sendo continuada em vários outros ao longo dos anos, aterrissando aqui, em "Batman: Bad Blood".


O longa segue o caminho pré-estabelecido em "Son of Batman" (2014) e "Batman vs. Robin" (2015), em uma Gotham um pouco mais envelhecida, com um Bruce Wayne mais experiente e uma nova geração de heróis utilizando morcegos em suas fantasias surgindo: Batwoman, Batwing, Damian Wayne como o novo Robin e, claro, Dick Grayson como o Asa Noturna.

Dito isso, em mais uma de suas aventuras noturnas, o morcegão encontra a vigilante Batwoman enfrentando uma gangue de vilões que mantém um prisioneiro numa fábrica no litoral da cidade. Em meio a batalha, Batman tenta passar alguns de seus conceitos para a nova e relutante mascarada que surgiu, até que, ao enfrentarem aquele que contratou tais bandidos, Batman fica preso em uma explosão e seu corpo desaparece.


Como ficaria uma Gotham City onde o seu maior ícone de segurança não responde mais aos chamados de ajuda? O quão rápido o completo caos se instauraria?

Para evitar que tal mal acontecesse, o mordomo Alfred convoca Dick Grayson, antigo Robin e atual Asa Noturna, para assumir o manto de Batman. Sabendo do caso, o jovem Damian Wayne, atual Robin, retorna pra cidade e se mete na porra toda colocando a piroca na mesa oferece ajuda ao novo herói sob a capuz do seu pai. A dupla tem acesso às investigações do Wayne sobre a mulher morcego e acaba por recrutá-la para um auxílio no caso. Por fim, temos também o recrutamento de Luke Fox como o tecnológico Batwing.

Juntos, o quarteto forma uma equipe que poderia soar caricata no papel, mas absolutamente funciona na execução: um puritano com um passado perturbado e a responsabilidade de ser tão bom quanto seu mestre no papel de líder, tendo o contraponto de um parceiro jovem totalmente descontrolado e violento, a garota gostosa e cool, cheia de tiradas geniais que servem de alívio cômico, além do outro cara que... tá, o Batwing é o menos legalzinho da equipe, mas serve como uma boa escada para futuros segmentos.


O filme é extremamente eficaz em mostrar o quanto "Batman" é um legado, não só para a cidade que ele cuida, mas também para os que surgiram a partir dele. Dick claramente tem em sua cabeça o pensamento de que o herói construído por Wayne é um alvo que ele não quer alcançar, tentando de várias maneiras se desvencilhar da obrigação de herdar esse manto - seja mudando de uniforme, atuando em outras áreas, enfim.

Damien melhor Robin ever, por sua vez, tem a "missão" de ser menos como seu avô, o abominável Ra's al Ghul, e menos como toda a filosofia da Liga dos Assassinos, e mais como seu pai, o correto e justo Bruce Wayne. Ao seu jeito, ele vai tentando isso.


Kate Kane, a maravilhosa Batwoman, tem sua vida mudada por conta de uma ajuda recebida pelo morcego tempos atrás. Enquanto Luke, Batwing, se apropria da tecnologia das Indústrias Wayne para montar seu Batwing.

Os próprios vilões e tudo que acontece tem uma ligação com o ícone que o Batman é. Eles não existiriam sem ele, ao mesmo tempo que a existência de vilões é o que torna o Batman necessário. Logo, é tudo uma roleta metafórica maravilhosa.


Um outro ponto de destaque é utilizarem a ex-militar Kate Kane como Batwoman. É um passo e tanto para a causa lgbt ter uma personagem tão significativa em uma animação de super heróis para adolescentes. Assim como na HQ - uma das minhas favoritas dos Novos 52 -, ela não é uma personagem retratada de maneira caricata. É uma mulher forte, mas com fraquezas emocionais e físicas. Ela tem uma vida, um contexto. Além disso, que garota foda, servindo Mulher Gavião realness em um tempo em que a DC necessita de heroínas zoeiras como a Mulher Gavião.

maravilhoso fan service... ♥
Uma curiosidade que pode passar despercebida é que o Asa Noturna conversa com a Estelar pelo telefone quando aparece pela primeira vez em tela, o que já abre lacunas para a próxima animação que virá ai: "Liga da Justiça vs. Novos Titãs" - confiram o trailer aqui.


Finalizando, Batman: Bad Blood está entre uma das minhas coisas favoritas da dobradinha DC/Warner de todos os tempos. O J.M. DeMatteis escreveu um longa sério, mas que não se perde em crises existenciais, nivelando bem o drama com as cenas de ação... E que cenas de ação. Aquela freiras ninjas mothefockers indo para a porrada, apenas sensacionais, meus amigos.

É um bom filme de equipe de heróis e que dará vontade de se aprofundar mais no universo pessoal de cada um dos componentes. E mesmo assim, soa fresco e inicial para uma "bat-família" que ainda irá aumentar.


P.S.: E claro que o fato de o "Bad Blood" do Batman totalmente ofuscar o termo usado antes pela Taylor Swift tosquíssima é um fato de se comemorar. Taylor Swift, você tomou no cu...

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