terça-feira, 5 de janeiro de 2016

MOVIE REVIEW | As Memórias de Marnie


A primeira semana de janeiro corre cada vez mais rápido. Então, vamos dar continuidade aos posts comentando alguns dos longas do cinema de animação que saíram durante 2015.

Até o final da semana devo dar os meus dois centavos dos poucos que restaram planejados para o final do ano passado, mas que não pude subir por pura falta de tempo. Outros filmes que estrearam na gringa e não chegaram nas salas daqui ao mesmo tempo, mas estão para debutar em terras nacionais muito em breve, como "O Bom Dinossauro" e "Peanuts", devem aparecer aqui no blog até o final do mês. Ainda não vi "Shaun, o Carneiro". Caso eu encontre uma forma de olhar, também deve rolar resenha ao longo de janeiro.

Pois bem, hoje vamos elevar a taxa cult do blog e comentar o mais recente longa-metragem do Studio Ghibli. A maravilhosa e emocionante aventura japonesa As Memórias de Marnie.



Baseado no romance When Marnie Was There, escrito por Joan G. Robinson, na verdade, o filme estreou no Japão no dia 19 de julho de 2014. Porém, chegou aos cinemas brasileiros - assim como em boa parte do ocidente - apenas em 2015. Logo, está coerente com a nossa lista.

Pegando o que há de melhor na aura emotiva do Studio Ghibli e carregando na animação old school, o longa gira em torno de uma garota chamada Anna Sasaki, de 12 anos, que vai para uma cidade praiana por conta de seus problemas respiratórios e com depressão, passando um tempo com parentes de sua mãe. Em meio a muitos mistérios na redondeza, ela encontra uma mansão aparentemente abandonada  e, a partir disso, vive algumas experiências com uma menina lindíssima chamada Marnie, com quem compartilha seu tempo, experiências, desejos, medos e esperanças para o futuro.


A grande sacada do filme é não deixar claro o que de fato está acontecendo em muitos dos pontos e ir resolvendo cada mistério ao longo dos minutos. O primeiro deles é relacionado à sobrenaturalidade daquele local. A mansão, por vezes, está ocupada, cheia de gente, iluminada. Em outros momentos, está abandonada, quebrada, sombria. Há toda uma pegada "O Mundo de Sofia" naquele universo, onde questionamos se aquilo é fruto da imaginação da Anna, se realmente existe ou se não faz parte desse plano.


O segundo é quanto a real relação entre Anna e Marnie. Por vezes, há a impressão de que isso tudo é uma relação lésbica - e me peguei em alguns momentos torcendo por esse amor. Em outros momentos, somos levados a acreditar que essa é uma relação apenas de amigas, quase como irmãs. Se nos esforçarmos um pouco, podemos imaginar que Marnie é como um avatar do arquétipo que Anna gostaria de seguir: uma menina bem feminina, com cabelos longos e loiros, aparência ocidental, graciosa, expansiva e sem medo de viver sua vida. A maneira como isso tudo é explicado no final quase me fez ter que recolher meu cérebro derretido no chão do cinema.


Por fim, o mistério do que levou Anna a toda essa introspectividade. E ai que a mão do Studio Ghibli pesa na emoção e meu coração acabou tocado.

A grande pena disso tudo é que, provavelmente, de acordo com alguns anúncios, essa será a última produção do estúdio japonês que nos trouxe tantas maravilhas ao nível de O Conto da Princesa Kaguya, A Viagem de Chihiro e Vidas ao Vento. Parece que a crise chega para todos, não?

Um pé pra lá, dois pra cá...
Enfim, assistam As Memórias de Marnie assim que puderem. Tive a oportunidade de assistir em tela cheia numa exibição bem curta aqui na cidade onde moro - o que é raro, já que quase nada do cinema nipônico entra em cartaz nos cinemas daqui -, porém, é um filme que consegue prender e emocionar assistido em qualquer plataforma. Um dos melhores do ano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...