terça-feira, 22 de dezembro de 2015

MOVIE REVIEW | Monkey King: Hero Is Back


Continuando com a nossa saga de matérias comentando alguns dos lançamentos do cinema de animação durante o ano de 2015, vamos para a segunda parte dos meus dois centavos dentro do que assisti por ai. Friso que são apenas ALGUNS dos longas lançados, pois, muitos deles estrearam lá na gringa, mas só darão as caras nas salas daqui no ano que vem - tipo Ajin, O Bom Dinossauro e Peanuts. Além disso, outros desses que chegaram a estrear por aqui (como Shaun, o Carneiro) também estão fora da lista, pois acabei não conferindo durante a temporada em cartaz e também não encontrando por outros modos.

Enfim, vamos mergulhar em uma produção que quase ninguém deve saber que existe, mas que já está, pelo menos, num top 5 de filmes animados desse ano, a obra chinesa Monkey King: Hero Is Back.



Caso tenham clicado no player acima, vocês já terão uma pequena ideia do quão os quadrões e segmentos de ação desse filme podem ser sufocantes. Mas, deixemos isso para depois, já que uma pequena introdução tem que ser feita, visto que quase nada desse filme foi divulgado por aqui.

Sobre o plot, o filme conta um pouquinho da história de um garoto que é achado ainda bebê por um monge num rio. Isso acontece, pois uma caravana de mercadores é atacada por monstros numa montanha próxima deli, fazendo com que os seus pais fossem mortos e, enfim, dando aquela carga emocional já no início da trama.

O moleque é criado aprendendo a viver como um monge, abdicando das riquezas e coisas materiais, além de não se contaminar com carne e... Bom, o monge pelo menos tenta isso. O problema é que o garotinho é uma peste. Bagunceiro, adora zoar com a cara de todos ao redor, destruir coisas, andar por telhados e vive questionando o porquê de monges agirem calmamente. Além disso, ele sonha em aprender a luta kung fu, pois assim poderá enfrentar as criaturas que vivem aterrorizando o povoado onde eles vivem - são os mesmos que assassinaram seus pais, mas ele não tem ideia disso.

Um dia, tais bestas invadem a vila para levar os bebês para um plano maligno do mestre tosquíssimo deles - mais informações ao longa da matéria -, então, o guri salva uma das recém-nascidas e foge para uma floresta, indo parar na toca de um antigo deus macaco, aprisionado ali por Buda após eventos ocorridos no céu. E é ai que o filme começa a decolar.


O tal "Monkey King" não tem muito de herói como conta a lenda, agindo mais como um bad guy indiferente a todas as coisas. Seus poderes místicos estão ridiculamente reduzidos por conta das algemas colocadas por Buda para controlá-lo. O roteiro segue contando as desventuras da dupla, tendo o macaco caladão e introspectivo, porém violento, ao lado do garotinho, inconsequente e tagarela, ao longo de toda a floresta, com tramas psicológicas, sentimentais, redenções e, claro, muita porradaria.

O filme tem dois grandes pontos fortíssimos. O primeiro, o roteiro. Ele passeia de forma objetiva pelo folclore chinês, contando a lenda do Rei Macaco - a mesma que deu origem à Dragon Ball - e do panteão de deuses de uma maneira bem simples e objetiva. Além disso, outros temas não deixam de ser abordados, como a amizade, o companheirismo, a jornada do herói em si é colocada pelo diretor Tian Xiaopeng de maneira primorosa. Há um problema principal na estória, eles vão e resolvem, além de aproveitar o caminho para cuidar de outros assuntos importantes para o desenvolvimento de cada um.

O segundo ponto é a fotografia e o estilo sufocante como giram as cenas de ação. A perspectiva adotada pela animação nas cenas mais pesadas, quase sempre em movimento frenético, como se uma câmera estivesse passeando pelo cenário enquanto a porrada estanca, é nada mais que sensacional. Tudo é sufocante, emocionante.


Entretanto, alguns problemas existem e são esfregados na nossa cara. O maior deles é, de fato, a pobreza na finalização. Talvez por estarmos acostumados com o padrão Dreamworks/Disney/Pixar, fica difícil retornar para personagens que lembram aquele trágico desenho das Bratz que passava na Cartoon Network.

Fora isso, é tudo um pouco escuro. Talvez seja para dar ressaltar as cores cintilantes em certos pontos do cenário e dos personagens, ou mesmo para dar um clima soturno ao longa, mas acaba incomodando ao assistir - ou eu que tenho toc, sei lá.

Felizmente, nada disso tira o brilhantismo do resto. A audiência chinesa parece concordar, visto que essa é a animação para cinema com maior bilheteria da história, passando Kung Fu Panda 2, que estava com o posto há algum tempo.

O vilão do filme é o Wesley Safadão...
Por curiosidade, o filme só rolou mesmo por parte da renda - em torno de 1,2 milhões de dólares - ter vindo arrecadação via crowdfunding. Em troca, 109 nomes foram incluídos nos créditos de produção, sendo a imensa maioria de crianças que estavam muito interessadas em ver a lenda ser contada nos cinemas nacionais.

Além disso, como eu já disse, a lenda é a mesma que deu origem a boa parte do universo de Dragon Ball. Logo, várias referências podem ser notadas e comparadas, como as nuvens voadoras laranjas, o bastão mágico e, se quisermos forçar a barra um pouquinho, o Rei Macaco virando um fucking super sayajin na batalha final.


Enfim, é um ótimo filme, ideal para diversão. Não há tantas metáforas nem profundidade, mas vai certeiro ao ponto. Um filme de ação chinês feito em animação para crianças.

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