quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MOVIE REVIEW | Divertida Mente


Olá, pessoas que possuem avatares coloridos em suas cabeças que controlam o que irá acontecer ao longo do dia. Como estão?

2015 já está mais pra lá que pra cá, então, vamos dar segmento aos textos comentando o que de melhor rolou no cinema de animação durante esse fúnebre ano. Como eu havia dito ontem, O Pequeno Príncipe foi o meu segundo favorito nessa lista e, hoje, comentarei qual foi o meu preferido em todos que assisti.

Relembrando, não comentarei ainda produções como "O Bom Dinossauro", "Ajin", "Peanuts", e "Shaun, o carneiro", ou por as mesmas não terem estreado nas salas aqui do Brasil, ou por já terem, mas eu não ter conseguido conferir na época e nem ter achado algum outro meio de apreciar atualmente.

Sem mais delongas, vamos à delícia mais deliciosa desse ano, o futuro ganhador do Oscar: Divertida Mente.


Antes, só tenho que esclarecer algumas coisinhas. Não tenho toda essa paixão pela Pixar que uma boa parte da internet enche o peito de orgulho para declarar. Sim, acho esse um estúdio de animação excelente, já que vários clássicos da minha infância, adolescência e, vá lá, vida toda, vieram dai. "Procurando Nemo", os dois primeiros de "Toy Story", "Wall-E" e "Os Incríveis" foram fundamentais para a formação do meu caráter, "Monstros S.A" e "Ratatouille" são longas bem acima da média, mas todo o resto além disso beira entre o "apenas aceitável" ("Vida de Inseto", "Universidade Monstro, "Carros" 1 e 2, "Toy Story 3") e "ofensivamente ruim" ("Valente" e "Up!" - cujo início é muito bonito, mas o resto é uma merda).

Logo, esse é o primeiro filme realmente ótimo da Pixar desde 2008.


Para começar, que ideia sensacional. Não é um filme com vilões malvadões que interferem em algo e os personagens precisam lidar com isso. O enredo ridiculamente denso. Fico imaginando essa temática sendo apresentada para a Disney. "Queremos produzir um longa onde os personagens são os arquétipos dos sentimentos dentro da cabeça de uma garotinha lidando com uma situação nova."

Parabéns aos que tiveram fé nisso, pois isso realmente deu certo.

Dando uma resumida apenas para fins explicativos, o filme gira em torno do que acontece na mente da Riley, uma jovem menina que acaba de se mudar com seus pais para outra cidade, tendo que deixar para trás seus amigos, costumes e estilo de vida. O cérebro dela é representado como uma sala de controle, em que cinco avatares dominam as emoções básicas dela: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho (rainha). As memórias dela são retratadas como orbitas coloridas e armazenados de acordo com sua importância, tendo também ilhas com aspectos fortes de sua personalidade (bobeira, esportes, família). Toda a trama começa a ferver quando uma memória importante é formada, mas, diferente de todas as outras que sustentavam tais ilhas, essa não é alegre, sim, triste.

Dai, a merda começa a rolar, pois a Alegria acredita que a personalidade deve ser formada apenas por momentos alegres, que a tristeza é ruim e que deve ser evitada. Então, alguns eventos ocorrem e as orbitas fundamentais se espalham. Por acidente, a Alegria e a Tristeza acabam perdidas com elas dentro da cabeça da Riley, restando aos outros sentimentos cuidarem de sua vida - um período difícil para a menina. No fim, tudo se transforma num road movie da dupla no que aparenta ser a alma da garota, relembrando vários momentos deixados por ela em sua infância - o amigo imaginário genial, mundos fantasiosos, medos reprimidos - e temos explicações de como funciona esse pequeno universo dentro da cabeça de cada um.


E isso foi mostrado e explicado de uma maneira tão gostosa. As falas são maravilhosas, a paleta de cores, os personagens são super cativantes, as situações da vida da Riley serem afetadas e afetarem o que ocorre na mente é algo inacreditavelmente interessante.

Não só pelo roteiro e tudo mais que citei acima, mas Divertida Mente passa uma mensagem importantíssima para as crianças - e adultos -, mostrando que todos os nossos sentimentos são importantes. A alegria é ótima? Sim. A maioria das nossas boas memórias vem dela, é ótimo ser feliz. Mas sabiam que não dá para ser feliz sem a tristeza? O filme mostra isso, mostra que, as vezes, precisamos desabar para que, só então, possamos crescer com o que de ruim acontece conosco. Um sentimento complementa o outro.

A raiva? serve para nos dar poder, coragem, firmeza perante as situações. O medo é parte primordial da nossa defesa, nos ajuda a ter segurança, a tomar decisões corretas. E o nojo? Além de ter o avatar mais legal, ele também nos ajuda a desenvolver o que achamos agradável ou não, a formar o nosso caráter.


Enfim, por esses e outros motivos, Divertida Mente foi o meu filme do cinema de animação favorito de 2015. É certo que ele esteja entre os indicados ao Oscar e, provavelmente, irá garantir a 28ª estatueta da academia para a Pixar.


Meus adorados, infelizmente, não poderei terminar essa série nesse ano. "Minios", "As Memórias de Marnie", "Hotel Transilvânia 2" e mais algumas produções ficarão para a semana que vem, quando o blog voltar as suas atividades a partir do dia 4 de janeiro.

Um feliz ano novo para todos vocês. Aproveitem com aqueles que vocês mais gostam da melhor maneira que vocês conseguirem! ;)

2 comentários:

  1. Gente eu adoro seus textos!
    Eu assisti esse filme na época que estava no cinema, lembro que fiquei me segurando no final pra não chorar, pq meu tio estava do meu lado (ta certo que ele simplesmente tinha dormido durante o filme, mas mesmo assim, com minha sorte, ele acordaria assim que a segunda lagrima caísse haha)... sim, sou chorona (depois que assisti "Um Grito De Socorro", passei a chorar em qualquer cena triste que vejo ~antes de ver esse filme, eu nunca havia chorado com qualquer outro filme)...

    Mas estou impressionada, você não gosta do "Carros"?????? Como assim???? Eu acho o 1 magnifico, já o 2 eu não curti muito não...

    Obs: você assistiu o Bom Dinossauro?? Eu chorei pakas vendo esse filme! Kkkkkk

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    Respostas
    1. Assisti sim, mas acabei não curtindo tanto na época.

      http://www.esquadraolunatico.com/2016/01/movie-review-o-bom-dinossauro.html

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