segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

MOVIE REVIEW | Cada Um na Sua Casa


Olá, pessoas que não foram obrigadas a se mudar para a Austrália por conta de uma invasão extraterrestre. Como estão? Aproveitando esses tediosos últimos dias do ano? Pois é...

Vamos então dar continuidade a nossa épica e sexy lista de longa-metragens animados que rolaram em 2015.

É sempre bom lembrar que esse não é um panorama completo do que saiu durante o ano, por vários motivos. Algumas das animações estrearam só na gringa e não chegaram aqui, então, comentarei apenas posteriormente - Peanuts, O Bom Dinossauro, Ajin. Já outras, acabei não conferindo enquanto estavam nas salas de cinema e não consegui achar outra maneira de assistir, tipo Shaun.

Enfim, com isso em mente, vamos relembrar o maior pretexto para que a Rihanna lançasse músicas inéditas em 2015 e vários outros artistas Pop se escorassem nisso para manterem-se na mídia, a deliciosa e divertidíssima Cada Um na Sua Casa.


Cada Um na Sua Casa é daqueles filmes que aposta alto em sua promoção, com inúmeras estrelas Pop envolvidas em sua produção. O elenco conta com nomes do gabarito de Jim Parsons (o Sheldon de The Big Bang Theory) dando voz ao extraterrestre Oh, da cantora Rihanna interpretando a protagonista Tip e da Jennifer Lopez, dando vida à sua mãe na trama. 

Além disso, a trilha sonora conta com faixas das já citadas intérpretes, além da participação de outros que estouraram dentro da cena mainstream em 2014, como a canadense Kiesza e a britânica Charli XCX. Pelo menos, não podemos acusar a Dreamworks de poupar orçamento para o longa, não é?

Entretanto, será que todo o investimento para que a obra chamasse atenção não só do público infantil, mas de uma parcela do grupo que escuta música Pop vale a pena ao fim, levando em conta o roteiro, a finalização e tudo mais? A resposta para isso é um complicado "mais ou menos". Explicarei.


Embora a ideia não seja original - uma raça alienígena com uma tecnologia milhares de anos superior à nossa buscando colonizar outros planeta por variados motivos? Já vi isso em Independence Day, no desenho da Liga da Justiça etc. -, a maneira como a dupla Tom J. Astle e Matt Ember desenvolvem o roteiro, dando uma arejada cômica em toda a situação apavorante e brincando com diversos temas ao se aprofundarem no bullying sofrido pelo etezinho Oh em todos os locais onde a sua sociedade Boov passou, criando, com isso, um panorama com a dificuldade de socializar que a Tip tem e na forma como a sua mãe sempre esteve presente para lidar com isso é não só genial, mas gostosa e fácil de assistir e assimilar. 

Além disso, a interação entre os dois personagens, com ela mostrando as boas coisas da Terra - música, refrigerantes, doces, gatos - e ele retribuindo com as guinadas tecnológicas em coisas do dia a dia (o carro flutuante é legal demais) é divertido. Isso tudo é agravado pela dublagem original, onde a Rihanna e o Parsons exageram em suas gírias, maneirismos e sotaques para que tudo fique mais, digamos, cool.

Entretanto, talvez ai comece todo o grande defeito do longa: o desespero para ser cool.


Legal que houve um esforço para recrutar grandes nomes teen da atualidade. Só que, em alguns momentos, isso simplesmente não casa no conjunto todo. Ao pensar na trilha sonora de um filme, é importante que a música, independente da qualidade, se enquadre com o que é passado. Em Cada Um na Sua Casa, por vezes, parece que isso foi pensado de forma contrária, com as cenas servindo de "videoclipe" para as faixas.

Temos uma baladinha da JLo pra usar? Vamos colocá-la por 20 segundos enquanto os personagens se encontram de maneira emocionante, mesmo que a letra não tenha tanto a ver com isso. Tem um Pop/rock alegrinho da XCX aqui? Bora tacar numa cena qualquer com movimento, mesmo sem que haja um contexto para isso. Oba, três faixas da Rihanna!? A gente coloca a com o instrumental mais melancólico num momento introspectivo, a com o instrumental mais grandioso em um momento decisivo e o Hip Hop sassy sobre transar no escurinho enquanto o extraterrestre aprende a dançar no carro - ok, dessa cena eu gostei, mas nas outras a trilha apenas não faz sentido.


Não que isso estrague o filme, que é ótimo. Porém, ao final, ficamos com aquele gosto estranho de que tudo poderia ter sido melhor sem o exagero de músicas. Me lembrou as novelas da Globo que passam na faixa das 19h, onde o casal protagonista esta falando sobre, sei lá, comprar pão e do nada começa a tocar o hit internacional do momento. 

Ainda assim, é um desenho que eu indico. O final é lindíssimo, a resolução das coisas é genial, todos os personagens são carismáticos e bem construídos, a paleta de cores é sensacional. Caso vocês tenham menos implicância com música Pop que eu, confiram sem medo.



A balada da Rihanna ainda da pra ouvir e dar replay, mas olha esse troço cafona da JLo...

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