sábado, 5 de dezembro de 2015

Febres comerciais otakus no Brasil pós-anos 90


A grande verdade é que eu não peguei a tal "era de ouro dos animes no Brasil" na Rede Manchete, visto que o canal saiu da ar em 1999. Lembro de ter assistido algumas coisas por lá, como Yu Yu Hakusho e Shurato, mas, de fato, só fui mais a fundo em ambas as séries, assim como em Sailor Moon e Cavaleiros do Zodíaco, outros dos animes daquele período, assim como boa parte dos tokusatsus, por meio de fitas VHS - sejam essas oficiais ou não. Afinal, gravar programas de TV com aparelhos de vídeo era algo ridiculamente comum naquela época.

Entretanto, é fato que houveram outras eras em que animes estiveram em grande destaque na cultura infantil e jovem do brasileiro após os anos 90, onde não só a audiência de tais programas e desenhos era considerável, como também existiam produtos e merchandising em massa. Era cool gostar dessas atrações japas. Dessas, confesso que participei de todas.


Band Kids (2000)


Essa delícia de programa passava nas tardes da Band de segunda a sexta, apresentado pela Renata Sayuri no papel de Kira. Como esquecer o borda "Eu sou Kira!"? Vestida de super heroína, ela fazia parte de um tipo de "liga do bem" e era acompanhada por outros personagens, como o robô Yuki e o sábio Grande Olho, que lhe servia como mentor e passava algumas tarefas, onde ela conseguia trunfos como prêmios (eram esferas do dragão) representados cada casa zodiacal (sim, misturaram com Cavaleiros do Zodíaco).

Eram exibidos os animes Dragon Ball Z nas sagas Freeza e Cell, Tenchi Muyo, El Hazard e Bucky, Foi uma das grandes explosões otaku daquela época.


Pokémon (1999)


Sendo, provavelmente, um dos maiores sucessos comerciais otaku aqui no brasil, Pokémon começou a ser exibido nas tardes da Record no programa Eliana & Alegria, dai foi só para cima. Naquela época, nenhuma criança imaginava o quão a franquia era grande no Japão, tendo sido tirada de um jogo de Game Boy. Aliais, Pokémon ajudou a tornar o portátil popular por aqui, visto a boa demanda para os seus cartuchos, assim como o Nintendo 64 com os dois games Stadium e Snap.

E ai, vieram revistas oficiais com várias informações da segunda leva de monstrinhos que ainda não tinham estreado por aqui, tazos nos salgadinhos da Elma Chips e em outros biscoitos genéricos, álbuns de figurinhas de banca, chicletes com álbuns de figurinhas - meu pai tinha um trailer de hambúrguer e vendia esses chicletes, ou seja, fui o primeiro entre meus conhecidos a completar o álbum -, bonequinhos nas tampas do guaraná Antártica, filmes com recorde de bilheteria nos cinemas, camisas, cadernos e tudo mais relacionado a materiais escolares, jogos de todos os tipos, um CD ridículo que só vinham três faixas... Enfim, era a magia para os fãs da época - e o terror para o bolso dos pais.



Digimon (2000)


A resposta da grande rival da Record, a Globo, contra o sucesso de Pokémon foi, justamente, seu maior rival no Japão: Digimon.

Exibido na TV Globinho sempre às 10h da manhã, as aventuras dos digiescolhidos vieram como um soco para o público da época, com um anime um pouco mais maduro, mas ainda infantil e recheado de elemento sensacionais.

Não é nem preciso repetir a quantidade de produtos acima, pois foi o mesmo que ocorreu com Pokémon. Ainda tenho guardado aqui caixas e mais caixas com tudo o que adquiri naquela época, com muito tazo, muita figurinha, muito brinquedo, muita revista...


Dragon Ball Z (2001)


Com a estréia da saga Majin Boo na TV Globinho, Dragon Ball alcançou ainda um novo patamar no Brasil. Goku e cia já eram conhecidos pelos episódios no Band Kids, mas o hype ficou ainda maior nesse momento, provavelmente pela maior audiência. Não é a toa que a atração da Band degringolou de vez quando a empresa dos Marinho adquiriu os episódios que passavam por lá.

Vocês sabem que levantaram as mãos para ajudar o Goku a fazer a Genki Dama, vocês sabem que as mães de vocês ficaram horrorizadas com todos gritando o nome do Mr. Satan...


Beyblade (2003)


Também sucesso na TV Globinho, Beyblade mostrava um universo onde crianças competiam em um esporte onde piões futuristas batalhavam, com equipes oficiais de diferentes partes do planeta. Além disso, algumas delas tinham Feras Bits, animais de luz que davam um up a mais na batalha.

É claro que os peões de brinquedo venderam que nem água por aqui. Eram de plástico, de "ferro", acendiam no escuro, faziam barulho e tudo mais. É claro que, caso seus pois não quisessem desembolsar uma boa quantia em dinheiro, podíamos dar um jeitinho, construindo uma com tampas de garrafa pet, tampas de detergente e cola...

Let it rip!


Yu-Gi-Oh! (2004)


Quem diria que um anime utilizando um jogo de cartas com muita estratégia faria tanto sucesso entre a molecada de época (eu incluso). Outra das delícias exibidas na TV Globinho, a história girava em torno de Yugi, que queria se tornar o maior duelista de todos.

Os baralhos de TCG invadiram a cultura nerd novamente, com várias competições e versões vendidas, além de, claro, jogos de Game Boy, Playstation, tazos, figurinhas etc. Uma pena a grande propaganda negativa feita na época por veículos sensacionalistas ter sido um grande empecilho para tanta gente aceitar a febre...


TV Kids! (2006)


Com a cultura otaku já mais em baixa nas emissoras abertas, a Rede TV! resolveu estrear uma atração nos fins de tarde, pegando a criançada que voltava da escola naquele horário com inúmeros animes que estouraram junto com o inicio do boom da internet por aqui. Super Campeões, Fullmetal Alchemist, Hunter x Hunter, Viewtiful Joe, Dinossauro Rei, Yu-Gi-Oh! GX e, pasmem, Pokémon e Digimon Frontier estiveram no catálogo.

O programa chamou bastante atenção para uma emissora de baixa audiência em seus primeiros anos, dando um gás nos nichos otakus da época em comunidades do Orkut, em Flogões e vários fóruns online...


Naruto (2007)


Embora já tendo chamado uma certa atenção ao ser exibida nesse mesmo ano na Cartooon Network, foi quando estreou no SBT que Naruto explodiu.

A animação foi a última febre otaku aqui do Brasil, com todo e qualquer tipo de produto para todo e qualquer tipo de segmento sendo vendido como açúcar: materiais escolares, roupas, DVDs oficiais, brinquedos, artigos de colecionador. Além do que, os capítulos de mangás e episódios japoneses eram acompanhados e traduzidos por fãs na internet, cosplays iam em eventos, bandanas e máscaras eram vendidas. Naruto era assunto nos círculos sociais. Eu, particularmente, tinha mania de fazer sinais com os dedos imaginando que podia fazer jutsus.


Uma pena que quase 10 anos se passaram e nenhum outro desenho japa veio com tanta força aqui no Brasil, fazendo com que a cultura otaku seja apenas mais um nicho. Um nicho ainda forte, mas não mais tão popular...

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