quinta-feira, 5 de março de 2015

x-men: evolution - mutantes na adolescência


Nostalgia: refere-se a uma saudade idealizada de algum momento ou sensação do passado.

Definições à parte, a palavra traduz bem o que sente a galera com mais de 18 anos quando escuta as "palavras mágicas" Chaves, Super Nintendo e Cavaleiros do Zodíaco.

Mas existe outra animação, americana, que me traz saudade: X-Men: Evolution.
Este não foi meu primeiro contato com a franquia criada pelo gênio Stan Lee, já que a cultura de HQs sempre imperou em casa - desde Turma da Mônica até mangas do Akira Toriyama - mas a animação é minha lembrança de infância mais forte a respeito do grupo de mutantes da Marvel.

Produzida no auge da febre colegial do Universo HQ (anos 2000), o desenho trazia os personagens já conhecidos na pele de estudantes. Para fãs mais xiitas, isso pode até parecer uma infantilização da trama original, mas funcionou perfeitamente dentro daquele contexto - e ver a representação de típicos arquétipos americanos teenagers através de super-heróis era fantástico.   

Jean Grey, a garota popular e atleta premiada, Scott Summer, o bonitão e Vampira, a rebelde à margem dos grupos escolares. Todos eram protagonistas impressionantes vivendo uma "vida dupla".

Entretanto, nas sombras o bicho pegava pra valer.


Dividida em algumas (poucas) temporadas, a série animada se fez suficiente em cada uma delas. No início, com o recrutamento de jovens superpoderosos pelo Professor Xavier, havia a promessa de controle e educação dos dons, em paralelo com a caça da misteriosa Mística, braço direito do "grande vilão" Magneto. Episódios com elementos sombrios, aventura e comédia rechearam todo esse começo - como não se arrepiar com a viagem de turma onde a Vampira finalmente se une ao grupo quando salva o Ciclope da morte, absorvendo os poderes e lembranças da Mística, e vendo suas reais motivações.

Daí pra frente, apenas melhorias. O arco que insere o irmão do Scott e o Asteroide M – com a luta entre Magneto e Mística -, as batalhas contra a Irmandade, as tramas secundárias do Wolverine (com o Capitão América, S.H.I.E.L.D e a Arma X), do Fera e da Tempestade, o episódio do Arcanjo que só passava no Natal, o feminista das Sereias de Bayville, a descoberta dos mutantes pela sociedade americana, o Projeto Sentinela, a Feiticeira Escarlate descendo o cacete, os quebra-cabeças para a libertação do Apocalipse...



Mesmo as incontáveis reprises não deterioraram a animação - sempre ficava aquele gostinho de "quero mais" após cada episódio. Outro grande acerto foi a abertura musical, mostrando cada herói, inspirada nas openings de uma animação mais clássica do grupo de mutantes. Fora o fato do traço dos personagens ter um pé no estilo anime (sem perder a pegada americana). Era uma arte visual bem legal de apreciar.

Engraçado pensar em quanto tempo dediquei a este desenho... Tenho lembranças de garotas da minha sala irem à aula com óculos escuros por conta do já citado episódio onde Jean Grey, Vampira, Kitty (Lince Negra) e Amara (Magma) se juntam com Tabitha (Boom-Boom), da Irmandade, para enfrentar o crime usando roupas sensuais ao estilo feminista justiceira...

Já mais velho, percebo amigos comentando algo como “Caramba, os mutantes novos do Magneto são muito poderosos!”. E quantas foram as manhãs de Natal que vi o segmento da Vampira com o Ciclope em Nova York? Sete, oito? Pois é, a TV adora reprises...

Como em poucos roteiros, X-Men: Evolution conseguiu destacar cada personagem de forma única, trabalhando-os ao longo do roteiro, e a animação em si foi capaz de entreter diferentes gerações de pessoas, ao ponto de se tornar cult para muitos - inclusive alguns mais exigentes.


Abaixo, o melhor episódio de todos:

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