segunda-feira, 23 de março de 2015

tokyo ghoul é bom, mas não o melhor

http://esquadraolunatico.blogspot.com/2015/03/tokyo-ghoul-e-bom-mas-nao-o-melhor.html

 Are you fuckin' hungry?!

Todo ano, no meio Otaku, isso se repete: um anime em especial acaba se destacando e tornando-se, independente da qualidade dos "concorrentes" ou mesmo da sua, o grande nome das temporadas. Ano passado, o mais popular foi o bom Shingeki no Kyojin, no anterior, o ótimo Sword Art Online. Já em 2014, pelo menos aqui no Brasil, os olhos e comentários se voltaram para o sombrio e sanguinário Tokyo Ghoul.

Dando uma breve sinopse, o anime conta a estória de Kaneki, um jovem humano que adquire características de Ghouls, tendo que se adaptar a esse novo estilo de vida a margem da sociedade, escondendo sua verdadeira identidade e lutando a cada dia para sobreviver e se adequar a sua nova condição.


Se o tipo de trama envolvendo a transformação de um mocinho numa criatura contra a sua vontade antes estava apenas restrita nas mídias a vampiros e lobisomens, nisso o anime conseguiu inovar. A adaptação da lenda dos Ghouls de uma forma mais romantizada mostrou-se bem interessante. Seres sobrenaturais que só se satisfazem consumindo carne humana, mas que agora convivem juntos escondidos na vida urbana japonesa.

Toda a construção em cima dessa sociedade a parte, incluindo as diferentes gangues, rituais doentios envolvendo o massacre e a "degustação" de pessoas como parte de um show burguês - um dos momentos mais bizarros do desenho, diga-se de passagem -, a polícia especial montada para a caça e extermínio desses seres... Tudo montado de forma sombria a deixar todo o cenário com um clima repugnantemente interessante.

Interessante também são os tipos de poderes "espirituais" dos personagens. Ao ler a sinopse, não imaginava que as lutas iriam para um rumo tão fantasioso. Ponto para os roteiristas, que conseguiram colocar marcas características de Shounens em um Seinen tão pesado.


Mas se eles ganham pontos pelo que citei acima, a maioria deles deveriam ser revogados pela extrema falta de criatividade na criação dos personagens. Não é a toa que fazem tantos comentários do tipo "esse é o Shingeki no Kyojin desse ano". Se pararmos para pensar, essa estória de uma garota badass, talentosa e muito mais forte que os outros em seu meio, cuidando de um cara mais franzino, menos experiente e talentoso, mas que se torna a criatura mais perigosa da trama quando perde a razão, não lembrando como faz isso, é praticamente a repetição do que acontece com o Eren e a Mikasa - só que em um contexto diferente.

Não tem como não colocar a Touka e o Kaneki nesse barco da comparação. Mesmo pelas semelhanças físicas. Só faltou mesmo alguém para o papel de inteligente, assim conseguiríamos o último do trio SnK: o Armin - embora eu veja muito dele no protagonista...

Um café?

Por fim, digo que é um entretenimento muito válido pelos pontos fortes listados, além dos bons traços, das ótimas lutas e de pequenos momentos na trama que são de enlouquecer, causando inclusive um certo enjoo nos mais sensíveis. Entretanto, não merece o título de melhor anime de 2014, visto vários outros terem se mostrado mais, digamos, completos.

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