quinta-feira, 19 de março de 2015

os simpsons e a casa dos horrores IV

Treehouse of Horror IV photo TreehouseofHorrorIV.jpg

Não lembro quando assisti meu primeiro episódio d'Os Simpsons. Essa família amarelada sempre esteve na minha vida e é bem provável que continuará por mais alguns (muitos) anos, mesmo que a Fox continue encrencando com produtores de conteúdo na internet, que insistem em admirar um dos desenhos mais toscos, ácidos e interessantes de todos os tempos.

Recentemente, durante um jantar, assistimos aqui em casa o famoso episódio sobre a viagem ao Rio de Janeiro. Nada mais irônico dentro do contexto de Copa do Mundo do ano passado, certo? Rimos com as sátiras sobre a cidade, sobre o exagero e os erros crassos - propositais - de roteiro, com a versão turbinada de uma apresentadora loira infantil extremamente sexualizada, com as favelas pintadas de cores vivas pelo governo e com os ratos (também pintados). 

Os filhos de uma vendedora de sucos roubaram o Homer, que foi sequestrado por um taxista e derrubou o bondinho do Pão de Açúcar - tudo contribuiu para as gargalhadas daquela noite... E finalmente entendi o motivo de vários episódios estarem censurados e banidos das TVs abertas: ver o americano ironizar sua própria ignorância pode incomodar as feridas abertas de alguns.

Entretanto, o principal foco desse texto nem mesmo é esse episódio, mas sim o que começou logo em seguida - o qual considero um dos maiores destaques dentre as mais de vinte temporadas dessa série: A Casa da Árvore dos Horrores IV.

É nítido o quanto Os Simpsons influenciou diversas outras produções adultas de formato plagiado parecido, com acidez no humor (nada se cria, tudo se copia). Porém, é notável que eles acabam por se manter mais verossímeis e menos descarados que os concorrentes. Só que são nos especiais de Halloween que a loucura invade a cabeça dos roteiristas, desprendendo-os de qualquer pudor, o que resulta em verdadeiras obras de arte sarcásticas como esse episódio...

Começando com uma alfinetada a todos os princípios considerados mortos, sendo representados em lápides que cercavam o caminho até a casa, onde os defuntos eram o conceito de que “Elvis não morreu”, a possibilidade de “um orçamento equilibrado”, “sátiras políticas sutis” e tudo o que era “cena de violência da TV”. Por fim, a família Simpson se levanta como zumbis de um buraco no chão. Não, eles nunca serão enterrados.


Tendo como pano de fundo para os já naquela época – 1993, ano em que a mais importante criatura dessa galáxia nasceu – três atos satirizando histórias de terror, Bart apresentava quadros mundialmente famosos, sobre os quais cada estória seria contada. A primeira, sobre o diabo.

Começando o ato com o Homer sonhando que uma modelo é, na verdade, uma tão deliciosa quanto rosquinha, ao acordar ele percebe que não há nenhuma na Usina Nuclear para saciar sua vontade. Então, ele deseja trocar sua alma por um desses doces. Eis que nesse momento o capeta, encarnado na forma do Ned Flanders, aparece para atender o seu pedido.

O fato do cramunhão ser o mais beato dos personagens arrancou risos da minha mãe, já que a explicação dada para isso é que “o inimigo é aquele que você menos espera”. E outras piadas bastante venenosas e pastelonas apareceram, como o fato do já citado Bart ser conhecido de longa data do satã e ele invocar para o júri da alma do Homer algumas figuras clássicas da “maldade” americana.


Já pro segundo ato, o quadro utilizado é o mais assustador de todos: o de um ônibus escolar, pois nada causa mais medo que ir para a escola.

Bart tem uma visão de como será sua morte enquanto está dormindo. Respectivamente, o pneu traseiro do ônibus escolar se soltará, fazendo com que ele capote. Ao acordar, entra em um estado de psicose. Já a caminho da escola, no veículo, é bastante caçoado pelas outras crianças. Mas, para a sua surpresa, todos os “sinais” que ele estava percebendo ao longo da manhã faziam sentido e todos iriam mesmo morrer... Por culpa de um Gremlin perverso que está desparafusando o pneu.

O garoto faz de tudo para avisar aos outros do monstro, mas ninguém acredita ou mesmo o vê pela janela, resultando em várias cenas hilárias por conta de suas tentativas até, finalmente, atacar a criatura com um sinalizador. No fim, ele é levado em camisa de força para o manicômio, pois se comportou muito mal. Já o Gremlin, é salvo pelo belzeb... Digo, pelo Flanders.


Para o ato final, Homer avista um quadro que deixa a todos enlouquecidos. Embora não tenha ligação direta com o tema, ele aparece na parede da sala da família, onde começa a trama.

O ápice do episódio – e de nossas risadas aqui em casa, já que outras pessoas aqui haviam ficado curiosas quanto ao nosso escândalo de gargalhadas e vieram conferir o que estávamos assistindo – se dá com a paródia feita com o filme Drácula, onde o Sr. Burns interpreta o grande vampiro anfitrião e, segundo o Homer, de penteado baitola, convidando a família Simpson para um jantar em seu castelo na Pensilvânia (parecida demais com a Transilvânia).

Lisa é a única que percebe que o velho é um morto-vivo sugador de sangue, o que, mesmo com todas as evidências cuspidas na cara, passa despercebido por todos, inclusive por seu irmão, que acaba sendo mordido após ativar o “tobogã da alegria”. Agora, o garoto se torna um vampiro sanguinolento e contamina todas as crianças do bairro. Inclusive, há outra paródia, fazendo referência ao filme Buffy – a Caça Vampiros, na cena onde Bart flutua na janela dizendo que ser vampiro é algo ótimo. O único jeito de salvar seu irmão, segundo Lisa, é assassinar o vampiro mestre. Só que para saber quem é esse, vocês terão que assistir o final surpreendente do episódio.


Cliquem aqui para assistir ao episódio. Boas risadas!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...