segunda-feira, 9 de março de 2015

kill la kill - um anime tarantinesco

http://esquadraolunatico.blogspot.com/2015/03/kill-la-kill-um-anime-tarantinesco.html

Sempre gostei muito de filmes "trash" - alguns deles de muitos anos antes de eu nascer. Sempre pirei em cenas de violência gratuita, com tiros atravessando crânios, que explodem, manchando todo o cenário de sangue. O tal gênero Ultraviolence Exploitation sempre foi um dos meus favoritos para inúmeros tipos de mídia que consumo, indo dos já citados longa-metragens até HQs ocidentais, mangás, animes, livros e seriados. 

Talvez por isso eu tenha tanto apreço pela obra do cineasta Quentin Tarantino: Death Proof, Pulp Ficton, Bastardos Inglórios e os dois volumes de Kill Bill estão entre minhas produções cinematográficas favoritas, assim como outras que tem o seu pitaco, como Um Drinque no Inferno, Sin City, Planeta Terror e O Mendigo com a Espingarda. Justamente por conhecer bastante desse segmento e do trabalho de tal diretor, não pude deixar de notar uma porrada de influências dele no anime Kill la Kill

Uma breve sinopse sem spoilers para quem ainda não conferiu um dos melhores anime dos últimos anos.


Kill la Kill conta a estória de Matoi Ryūko, uma jovem que busca vingança pela morte do pai. Para tanto, ela abre caminho em um local esquematicamente confuso e absurdamente louco, mas de uma forma interessantíssima: uma cidade dominada por um colégio secundário, onde os alunos estão divididos por "níveis". Cada degrau alcançado dentro dessa sociedade estudantil significa melhorias em sua vida pessoal e status, assim como o da sua família. Ao redor desta escola, há desde uma das mais podres favelas do mundo até luxuosas mansões - a propósito, um dos episódios mais legais é exatamente o que mostra a diferença entre tais classes sociais.

No posto mais alto, comandando tudo e todos, está Kiryūin Satsuki, a presidente do Conselho Estudantil. Servindo como maior antagonista, essa bela mulher é uma lutadora doentia, com treinamento samurai, de enorme "monocelha" e personalidade intrigante - o que gera cenas sufocantemente dramáticas - a prepotência desta personagem chega a irritar, mas conforme a história é contada, entendemos melhor sua postura. Para conseguir informações valiosas sobre o assassinato, Matoi terá que lidar com as artimanhas dessa difícil menina e seus seguidores... 


A "escola Tarantinesca" se mostra presente em muitos singelos momentos, mas que não passam despercebidos para os fãs - sejam nos diálogos malucos que se somam as batalhas sanguinolentas, na trilha sonora especialmente montada de forma a lembrar as produções, com pausas bruscas e inícios completamente aleatórios, ou mesmo nos kanji e nomes que ocupam a tela ao aparecer um personagem novo, ou golpe, ou outra coisa. Os produtores fizeram muito bem o dever de casa.

Até os vários estilos já consagrados e clássicos (repaginados para tal contexto) se parecem com as propostas do diretor americano. É dito que em Kill Bill ele quis homenagear os antigos filmes de artes marciais, e em Jackie Brown, os roteiros policiais afro-americanos blaxploitations. Como não reconhecer neste anime as homenagens aos que vieram antes, com roupas que viram armaduras super-poderosas, extrema teatralidade nos golpes e traços "podrinhos", valorizando as expressões faciais?! Se os filmes de Tarantino são sobre filmes, esse é um anime sobre animes.

Reconhecem os dois pistoleiros a paisana ali atrás?
Portanto, Kill la Kill é obra para ser assistida por todos. Vale não só pela diversão de encontrar easter eggs e referências externas, mas também pelo roteiro (limitado, porém genial), pela fotografia sensacional, pelo plot twist hediondo e pelos personagens empolgantes, lindamente diferentes entre si... Uma delas até usa tapa-olho, só que a minha preferida é a Mako.

YES, Mako-chan! I <3 U


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